Comércio que se reinventa: Jundiaí amplia negócios mesmo com avanço das vendas online

Publicada em 16/07/2026 às 16:48

Quem passa pelo Centro de Jundiaí ou pelas principais ruas comerciais dos bairros talvez não imagine que, em plena era dos aplicativos e das compras feitas com poucos toques na tela do celular, o comércio físico continue abrindo novas portas.

E poucas histórias traduzem tão bem o momento do comércio jundiaiense quanto a da empresária Tatiana Godoy, dona de três lojas de roupa feminina.

Desde pequena ela acompanhava o avô trabalhando em uma mercearia. Ali nasceu o sonho de ter o próprio negócio. Depois de duas décadas como gerente de loja, decidiu mudar completamente de vida quando nasceu seu segundo filho. “Eu queria cuidar dele, mas também sabia que precisava trabalhar. Convenci meu marido a procurar um ponto e abrir uma lojinha. Era para ser apenas uma”, lembra.

Foi então que nasceu a República das Gatas, uma pequena loja inaugurada na Ponte São João, mas o sucesso do bairro trouxe os próprios clientes pedindo uma unidade no Centro e hoje já são duas (uma na rua Coronel Leme da Fonseca e outra na Senador) e atendendo clientes de diferentes regiões da cidade.

Bairro e Centro: públicos diferentes, uma cidade que cresce nos dois

A experiência de administrar lojas nos dois formatos deu a Tatiana uma leitura clara das diferenças entre os públicos, a clientela do bairro costuma criar vínculos duradouros. “No bairro as pessoas entram para comprar, mas também para conversar. Elas conhecem as vendedoras, contam da vida, criam amizade. No centro as pessoas tem mais pressa, o entra e sai é maior, mas o contato pessoal é sempre muito importante. Hoje muitas clientes circulam entre as três lojas, e esse relacionamento continua sendo nosso maior patrimônio.”

Um Centro que voltou a atrair pessoas

Tatiana também credita à revitalização do “Centro da Gente” parte do movimento recente em suas lojas: “a revitalização foi muito boa pra nós, lojistas, porque atrai muitos clientes pro Centro. Os eventos, festivais, a gastronomia, tem atraído um grande público para a região central e as pessoas andam pelo comércio, vêm conhecer. E eu estou vendo o Centro mais vivo, muito mais limpo e estou amando.”

A percepção é compartilhada pela munícipe Kerem Barros, que voltou a frequentar a região. “O Centro é o coração de Jundiaí. Essas mudanças me motivaram a voltar. Hoje tem novos restaurantes, lojas bonitas e uma estrutura que chama atenção.”

E-commerce como parceiro

Para Tatiana, a resposta é clara: o comércio eletrônico não tira clientes, ajuda a atendê-los melhor. “Pelo contrário. Muitas clientes veem uma roupa nas redes sociais, tiram um print e perguntam se eu tenho. Elas gostam de vir à loja, experimentar, conversar e pedir nossa opinião. A internet acabou se tornando uma aliada. O varejo mudou, mas continua tendo um ingrediente que nenhuma plataforma digital consegue substituir: a relação entre pessoas.”

Essa realidade ajuda a explicar um fenômeno observado em todo o país: o consumidor passou a usar o digital para pesquisar, mas continua valorizando a experiência da compra presencial quando busca atendimento, confiança e relacionamento.

Os números confirmam a percepção

A trajetória de Tatiana não é exceção, é retrato de um movimento que os dados do Cadastro Fiscal Mobiliário (CFM), da Secretaria de Finanças, confirmam: entre 30 de junho de 2025 e 30 de junho de 2026, o número de comércios inscritos em Jundiaí saltou de 11.896 para 13.662, um crescimento de 14,84% em apenas um ano.

E o crescimento não ficou concentrado em uma única região. Bairros como Sul (+16,6%) e Oeste (+16%) tiveram expansão acima da média da cidade, puxando o resultado geral, sinal de que o comércio de proximidade segue ganhando força. Ao mesmo tempo, o Centro de Jundiaí, foco do programa de revitalização da região central, também cresceu no período (+10%), mostrando que investir no coração da cidade e fortalecer os bairros não são caminhos concorrentes, mas complementares.

Para a diretora de Fomento ao Comércio e Serviços, Cida Gibrail, os números do último ano confirmam que Jundiaí fortalece o chamado comércio de proximidade, aquele que faz parte da rotina dos moradores. “O crescimento de quase 15% no número de estabelecimentos comerciais demonstra que Jundiaí oferece um ambiente favorável ao empreendedorismo. O comércio está presente em todas as regiões da cidade e continua se reinventando, conciliando a tradição do atendimento presencial com as oportunidades do mundo digital. Por meio do Desenvolve+, a Prefeitura atua para manter essa proximidade com a população, fortalecer esse ambiente, oferecendo apoio ao empreendedor, incentivando a inovação, a geração de empregos e a expansão dos negócios.”

Atualmente, o município conta com 22.480 MEIs inscritos no Cadastro Fiscal Mobiliário e 87.882 inscrições ativas no total, números que colocam Jundiaí na contramão de um suposto esvaziamento do comércio físico diante do avanço da internet.

Neste Dia do Comerciante, a história de Tatiana mostra que, em Jundiaí, o futuro do varejo não está na disputa entre loja física e internet. Está na combinação dos dois mundos, impulsionada por uma cidade que investe na valorização dos pequenos negócios, na revitalização dos espaços públicos e na criação de oportunidades para quem decide empreender.

Assessoria de Imprensa
Fotos: Fotógrafos PMJ


Link original: https://jundiai.sp.gov.br/noticias/2026/07/16/comercio-que-se-reinventa-jundiai-amplia-negocios-mesmo-com-avanco-das-vendas-online/

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