Casa Sol celebra 20 anos como referência na proteção de mulheres vítimas de violência em Jundiaí
Publicada em 01/03/2026 às 08:00Em 2026, a Casa Sol completa 20 anos de atuação como um dos principais serviços da rede de proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar em Jundiaí. Vinculada à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), a Casa Sol é um abrigo sigiloso destinado ao acolhimento de mulheres sob risco iminente de morte, oferecendo segurança, acompanhamento técnico especializado e a oportunidade de reconstrução de vida.
Implantada em 2006, a Casa Sol foi o 10º abrigo desse tipo criado no Brasil, tornando-se referência histórica na política pública de enfrentamento à violência contra a mulher. Ao longo dessas duas décadas, o serviço também recebeu o reconhecimento internacional com o Prêmio de Boas Práticas da Rede Mercocidades, evidenciando a qualidade e a relevância do trabalho desenvolvido no município.

Atualmente, o serviço pode acolher até 10 pessoas simultaneamente, incluindo filhos e outros dependentes das mulheres atendidas. O período de permanência é de até 90 dias, podendo ser prorrogado conforme avaliação técnica. Somente no ano de 2024 foram realizados 57 acolhimentos, entre mulheres e seus familiares, e em 2025 foram 37 atendimentos.
A secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Luciane Mosca, destaca a importância da estrutura para o município. “A Casa Sol representa não apenas um local seguro, mas uma oportunidade real de recomeço para mulheres que vivenciam situações extremas de violência. É um espaço sigiloso, protegido 24 horas por agentes da Guarda Municipal, com uma equipe multiprofissional que oferece atendimento individualizado e articula todo o suporte necessário com a rede de serviços. Celebrar esses 20 anos é reafirmar o compromisso de Jundiaí com a defesa dos direitos das mulheres e com a preservação da vida”, afirma.



Atendimento humanizado e decisões compartilhadas
O ingresso na Casa Sol ocorre por encaminhamento da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), plantão policial, rede socioassistencial da SMADS ou órgãos do sistema de garantia de direitos, como Ministério Público, Defensoria e Poder Judiciário. Em muitos casos, a mulher já chega com boletim de ocorrência registrado e solicitação de medida protetiva.
Durante o acolhimento, além da garantia de segurança, as mulheres recebem apoio psicológico e acompanhamento social. A rotina inclui preparo de refeições e cuidados pessoais, preservando a autonomia. A equipe também assegura a continuidade escolar das crianças e orienta sobre direitos trabalhistas, inclusive quanto à manutenção do vínculo empregatício em casos de afastamento por violência doméstica.
A coordenadora da Casa Sol, Silene Aparecida dos Santos, explica que cada caso é conduzido de forma personalizada. “Nosso trabalho começa com a construção conjunta de um plano de ação. Não somos nós que decidimos o destino da mulher; ela participa de cada escolha. Vamos compreender sua história, suas possibilidades e desejos. Isso é parte do enfrentamento da violência: resgatar o direito de decidir sobre a própria vida”, destaca.
Segundo ela, o momento inicial do acolhimento costuma ser delicado. “Muitas chegam abaladas, desconfiadas ou até revoltadas. Estão deixando sua casa, sua rotina e, muitas vezes, a pessoa em quem confiaram. Nosso papel é acolher sem julgamento, respeitando o tempo de cada uma para se fortalecer”, completa.
Acompanhamento mesmo após o desacolhimento
A saída do abrigo também é uma decisão compartilhada, considerando fatores como a concessão da medida protetiva, a segurança do novo endereço e a existência de rede de apoio. Em alguns casos, a mulher opta por recomeçar em outro município ou estado; nessas situações, a equipe articula o atendimento na cidade de destino e o município pode fornecer passagens para garantir uma transição segura.
Após o desacolhimento, o acompanhamento técnico continua por um período de seis meses a um ano, assegurando que a mulher permaneça protegida e assistida.
Ao completar 20 anos, a Casa Sol reafirma seu papel essencial na rede de proteção de Jundiaí, dando visibilidade a uma política pública que salva vidas e fortalece a autonomia feminina. Mais do que um espaço físico, o serviço representa acolhimento, dignidade e a chance concreta de um novo começo.
Assessoria de Imprensa
Fotos: Arquivo PMJ
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