Rede municipal de saúde mental oferece acolhimento 24h em residências terapêuticas
Publicada em 07/04/2026 às 07:40Quem vê Juliana Morato arrumando minuciosamente as dezenas de bonecas da prateleira de seu quarto não imagina o que ela passou antes. Foram anos de ciclos de longas internações em um hospital psiquiátrico de Amparo até, em 2018, ser acolhida pela residência terapêutica localizada no Jardim Liberdade, em Jundiaí.

A unidade é um dos três Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) do município oferecidos pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), vinculada à Secretaria de Promoção da Saúde e voltada à reabilitação e autonomia. As três residências são um suporte 24 horas, com capacidade para dez moradores cada, direcionadas a pessoas com história de longas internações em hospitais psiquiátricos. A unidade Liberdade se diferencia das demais – Paulista e Pacaembu – por abrigar apenas mulheres, entre elas Juliana, que hoje, aos 48, leva uma vida com acolhimento e cuidado. “Aqui é bom. Essa casa é minha, é nossa”, conta.

A história dela tem pontos em comum com a de muitos outros residentes deste tipo de moradia. Segundo a coordenadora da unidade, Raquel Kubitza Valente, boa parte das pessoas acolhidas pelo serviço vieram de décadas de internação psiquiátrica em modelo manicomial, uma forma de tratamento em saúde mental marcada pela segregação social e pela contenção do paciente. “Ver esses indivíduos sendo cuidados com humanização é uma reparação histórica. Aqui, eles têm de volta tudo o que foi tirado deles por anos”, salienta.
Cada SRT conta com equipes de enfermagem e cuidadores, que se revezam o dia todo, sete dias na semana. São oferecidas diversas atividades comunitárias, além de passeios frequentes. “Ela evoluiu muito depois que veio para cá, está mais calma, carinhosa e esperta. Até me emociona saber que ela está tão bem aqui”, relata a mãe de Juliana, Magali Teixeira, 70.
Da lógica manicomial à atenção psicossocial
A Reforma Psiquiátrica no Brasil (Lei 10.216/2001) redirecionou o modelo assistencial de saúde mental, substituindo a internação manicomial, mantido por décadas como principal forma de tratamento, pelo cuidado em liberdade na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Em Jundiaí, a rede oferece atendimento gratuito em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em diferentes pontos de cuidado. Além dos Serviços Residenciais Terapêuticos, a rede é composta pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) – são quatro, sendo eles o CAPS III Sem Fronteiras e o CAPS II Bem Viver, ambos voltados ao atendimento de adultos com transtornos mentais severos e persistentes, o CAPS AD III Maluco Beleza (para adultos com problemáticas relacionadas ao uso de álcool e outras drogas, sendo um serviço 24 horas) e o CAPS Infanto Juvenil É Liberdade (que atende crianças e adolescentes de até 17 anos e 11 meses com transtornos mentais e/ou problemáticas relacionadas ao uso de álcool e outras drogas).
Por demandar intervenções múltiplas, o cuidado em saúde mental também é feito por meio da oferta de serviços como escuta acolhedora na Atenção Primária à Saúde, práticas integrativas e complementares em saúde, atividades de convivência, além de atendimento médico e psicológico.
Assessoria de Imprensa
Fotos: Fotógrafos PMJ
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