Conversa na Calçada resgata histórias e aproxima moradores da memória de Jundiaí

Publicada em 30/10/2026 às 08:09

Aos 71 anos, Jonas Eduardo tem muitas lembranças de Jundiaí. Nascido na cidade, ele guarda histórias que ouviu ao longo da vida. Uma delas envolve o Solar do Barão, onde, segundo uma antiga narrativa popular, Dom Pedro teria passado a noite. Durante o encontro do projeto Conversa na Calçada, Jonas descobriu que não era bem assim: o imperador passou pelo local, mas não chegou a dormir ali.

“É uma maneira de relembrar muitas coisas do passado”, conta. Para ele, preservar essas memórias é importante em um mundo em que “as coisas mudam muito rápido e muita coisa se perde na história de Jundiaí”.

Criado pela Secretaria Municipal de Cultura (SMCULT), o Conversa na Calçada reúne moradores, especialmente os mais velhos, para compartilhar lembranças, experiências e relatos sobre os bairros onde vivem ou viveram. A iniciativa resgata a tradição das conversas nas calçadas, que durante gerações foram espaços de troca de histórias, costumes e acontecimentos da comunidade, mas perderam espaço no cotidiano ao longo do tempo.

A abertura oficial do projeto aconteceu na terça-feira (20), nos jardins do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí – Solar do Barão, com a participação de idosos que frequentam a UBS Central e uma apresentação musical. O encontro promoveu a convivência e a troca de experiências, aproximando os participantes da história do espaço e das memórias da cidade.

A proposta também aproxima a educação patrimonial dos moradores, valorizando a oralidade como fonte de conhecimento. A partir dos encontros, a equipe da Secretaria busca identificar lembranças, lugares e experiências importantes para cada território, reconhecendo referências culturais que nem sempre estão registradas em livros ou documentos oficiais.

Carmen Corrêa Porto, de 71 anos, também guarda histórias que atravessam gerações. Embora more em Jundiaí há 11 anos, sua relação com a cidade começou muito antes. Seus primos nasceram na Vila Arens e, ainda na infância, ela vinha de trem de São Paulo para visitar a família em uma chácara. Ao longo dos anos, acompanhou as transformações da cidade e morou em bairros como Hortolândia e Vila Arens.

Carmen conheceu o projeto durante uma visita ao Museu dos Ferroviários e se interessou pela proposta. Para ela, os encontros são uma oportunidade de recordar o passado e criar vínculos. “É um convívio, um compartilhar maravilhoso. Você vai falando e pensa: ‘Nossa, essas pessoas viveram aqui, estavam naquela época’. Isso é muito rico, porque não pode morrer”, afirma. Ela acredita que iniciativas como essa deveriam chegar também a outros bairros, especialmente os mais antigos.

Histórias que vivem na memória

Segundo Fernando Peche, diretor do Departamento de Patrimônio Histórico da SMCULT, o projeto busca aproximar a educação patrimonial dos bairros e conhecer as lembranças de seus moradores. “Vamos reunir os idosos, resgatando essa lembrança antiga da conversa na calçada, para bater um papo, mapear os interesses e as memórias que eles têm. Depois, vamos estudar o que é relevante para a história daquele território”, explica.

As edições piloto do Conversa na Calçada foram realizadas durante o Mês do Patrimônio Histórico, em agosto, no Espaço Expressa, que reúne referências importantes da história ferroviária de Jundiaí, e no Centro de Referência em Educação Ambiental (Cream), no bairro Santa Clara.

Entre uma história e outra, o Conversa na Calçada mostra que a memória de Jundiaí não está apenas nos arquivos, monumentos e edifícios preservados. Ela também vive nas pessoas e nos detalhes que cada morador guarda consigo. A próxima edição do projeto será realizada com os idosos da Vila Maringá, no dia 12 de novembro, na Praça Manuel Teixeira Pascoal, na área paralela à Rua Nicolai Orsi, próxima à UBS Maringá. Em breve, mais detalhes serão divulgados nos canais oficiais da Prefeitura.

Assessoria de Imprensa
Fotos: Fotógrafos PMJ


Link original: https://jundiai.sp.gov.br/noticias/2026/10/30/conversa-na-calcada-resgata-historias-e-aproxima-moradores-da-memoria-de-jundiai/

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