Segunda safra de Niagara Rosada reforça Jundiaí como Terra da Uva

Publicada em 31/05/2016 às 12:10

O consumo de uvas in natura retomado em maio nas barracas de produtores ou nas gôndolas do mercado, especialmente da tradicional variedade Niagara Rosada, reforçou no mês de maio a histórica identidade de Jundiaí como “Terra da Uva”.

Mas poucos sabem que essa safra extra, chamada de “safrinha”,  foi viabilizada ao longo dos anos pelo esforço de pesquisa de cientistas e agricultores para o desenvolvimento de uma poda adicional (chamada temporã), realizada depois da colheita entre os meses de dezembro e fevereiro.

Vocação rural: novas técnicas viabilizaram safrinha na região do Caxambu

Vocação rural: novas técnicas viabilizaram safrinha na região do Caxambu

Devido à ausência de chuvas no verão 2015-2016, a safrinha teve uma boa produção de frutas com um sabor considerado muito bom pelos agricultores. No sistema de cultivo adotado na região de Jundiaí, em média, a produtividade varia de dois a dois quilos e meio por planta na safra, enquanto na safrinha oscila entre um e meio a dois quilos.

O produtor Ademir Minjone, da área rural do Caxambu, afirma que há muitos anos pratica essa técnica e destaca a qualidade das uvas deste ano. “Está melhor do que na época normal, mais doce e saudável, muito boa, além de sair mais rápido”, afirma, destacando a renda adicional em uma fase difícil da economia como um todo para todos aqueles que lutam para manter a atividade tradicional e ao mesmo tempo inovadora.

Mas ele lembra também que usa apenas uma parte da plantação para essa atividade da safrinha porque ela atrasa um pouco a posterior poda normal.

De acordo com a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Turismo, o sistema exige cuidados adicionais para a longevidade dos vinhedos e o monitoramento de fungos, por exemplo, porque a época de produção de frutos é prolongada dentro do ano.

Levantamento
No Estado de São Paulo, 30% da produção de uvas de mesa é originária de Jundiaí, fortalecendo a posição do Brasil entre os 15 maiores países produtores da fruta no mundo.

LEIA TAMBÉM
Frutas ganham seleção eletrônica no Traviú
Feira Arte Eco mostra ‘surpresas ecológicas’ ao público
Cooperativa de Vinho é pioneira em ‘caminhão envasador’
Jundiaí reforça pioneirismo agrícola com R$1,8 milhão em projetos

O Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo (LUPA) aponta que a área produtora de uvas de mesa em Jundiaí chegou a 1.843 hectares (ha) em 2010 em parte de suas 1.492 propriedades rurais segundo estimativas.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DA SEMANA DO MEIO AMBIENTE

Além de sua própria área e de pontos de “colonização” de produtores jundiaienses em outros municípios mais distantes como Indaiatuba, São Miguel Arcanjo ou Porto Feliz, a região conta também com áreas de produção em Itupeva (518 ha), Louveira (328 ha), Jarinu (274 ha), Itatiba (185 ha) e Atibaia (164 ha) em dados de 2010.

Cuidados
Ao lado do desenvolvimento de técnicas como a substituição gradativa do cultivo em espaldeira pelo chamado cultivo em Y (que permite a mecanização de pequeno porte nas pequenas áreas rurais, compensando a queda de mão de obra), Jundiaí conseguiu mesmo com redução de propriedades ativas a estimativa da safra convencional (dezembro-fevereiro) entre 25 a 27 mil toneladas.

Para o produtor Anderson Tomasetto, do bairro rural do Traviú, a técnica que usa uma poda temporã no “arame do meio” depois da poda da colheita de dezembro-fevereiro exige cuidado nessa época de chuvas e menos riscos de fungos com a chegada do outono-inverno. “Estes dias chuvosos deste mês são atípicos. As uvas concentram o açúcar, estão mais doces e o mercado aceita bem essa safrinha que entra junto com as uvas das regiões de Jales ou Pirapora de Minas”, observa.

Ele também usa apenas uma parte da plantação (30% a 40%) para a safrinha e se mantém atualizado sobre as técnicas de controle de fungos.

Referência
O município é referência estadual e nacional em muitos aspectos relacionados com a uva e, em especial, com a variedade Niagara Rosada surgida localmente em 1933.

A Prefeitura retomou o formato tradicional da Festa da Uva em 2013, valorizando agricultores e artistas locais e transformando o evento em alavanca para o turismo local ao passar de 37 mil visitantes em 2012 para 167 mil visitantes em 2016, sem contar a venda de 63 toneladas de frutas que praticamente haviam desaparecido no formato anterior.

Outra novidade foi o surgimento do Programa de Subsídio de Seguro Agrícola, que tem coberto 50% do saldo desse tipo de seguro devido por agricultores.

A cooperação interinstitucional também ocorre entre o poder público e as mais diversas entidades agrícolas, turísticas, de ensino e de pesquisa científica voltadas ao segmento.

“O setor rural também tem sido reconhecido como fator da economia local, com a venda direta de produtores nos diversos programas de abastecimento, e como gerador de benefícios ambientais para a comunidade jundiaiense (água, clima, biodiversidade e paisagem cênica) com previsão de programa de remuneração de serviços ambientais discutido e incluído no Plano Diretor Participativo, em análise na Câmara Municipal, afirma a secretária de Agricultura, Abastecimento e Turismo, Valéria Silveira de Oliveira.

Plantação de uva na região do Traviú: controle no uso da "poda temporã" em parte da plantação

Plantação de uva na região do Traviú: controle no uso da “poda temporã” em parte da plantação

José Arnaldo de Oliveira
Fotos: Arquivo PMJ


Link original: https://jundiai.sp.gov.br/noticias/2016/05/31/segunda-safra-de-niagara-rosada-reforca-jundiai-como-terra-da-uva/